Revista Página22 :: ed. 21 (julho/2008)

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EDITORIAL - O mundo que cabe aqui

A Copa do Mundo é um dos últimos refúgios do nacionalismo, diz um entrevistado na reportagem de capa desta edição. Sai de campo a representação bélica entre os países, entra a globalização explícita dos clubes futebolísticos, com craques trazidos dos celeiros periféricos de todo canto. De fato, o traçado político dos Estados Nacionais se depara com a crescente integração dos mercados e a maior consciência quanto à interdependência dos sistemas naturais.

Integrar-se ao mundo transnacional e ao mesmo tempo valorizar o “passe” de seu ativo natural é o equilíbrio que o Brasil precisa buscar entre o global e o local. Como no futebol, o País também é potência no mapa-múndi do capital natural, representado por solo fértil, água, energia e biodiversidade, mas que continuamente “exporta” sua biocapacidade de graça ou às custas de subsídios pagos pela própria população.

Sem uma política interna efetiva para proteção de seus ativos, o Brasil dificilmente deixará de ser o maior desmatador de floresta tropical do mundo, posto que conquistou no ranking da revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences. Ao mesmo tempo, está em busca da cooperação internacional para conservação da Amazônia, por meio de um fundo pelo qual receberá doações de outros países. Sem a floresta, perde toda a humanidade mas, principalmente, perdem os brasileiros. De outro lado, é preciso garantir que as nações industrializadas façam sua parte, ao reduzir suas emissões de carbono.

A Copa que o País vai sediar em menos de seis anos é um ótimo mote para a sociedade brasileira refletir sobre si mesma e seu papel na sustentabilidade mundial. Assim como em todo megaevento esportivo, atrairá atenção para problemas e avanços políticos, sociais e ambientais. Ainda há tempo de investir em uma agenda local que resulte em benefícios da global. Porque o mundo é, mesmo, uma bola.

Boa leitura.

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